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Violência Contra a Mulher: Saiba Identificar os Sinais e Quebrar o Ciclo do Abuso

  • Foto do escritor: Drª. Isadora Balem
    Drª. Isadora Balem
  • 20 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Quando pensamos em violência doméstica, a primeira imagem que vem à mente muitas vezes é a da agressão física: o olho roxo, os hematomas. No entanto, muitas vezes a violência contra a mulher começa de forma sutil, com agressões que não deixam marcas, mas ferem igualmente. Por mais que atualmente muito se fale a respeito da Lei Maria da Penha, vejo que muitas mulheres ainda não se reconhecem vítimas de violência. Portanto, entender cada uma das cinco formas de violência previstas na lei é o primeiro passo para que vítimas, amigos(as) e familiares possam reconhecer os sinais e quebrar o ciclo do abuso.


1. Violência Psicológica: “Mas ele nunca me bateu”

Ela se manifesta por meio de ameaças, constrangimento, manipulação, isolamento (afastando a mulher de amigos e familiares), vigilância constante, perseguição e chantagem. É quando o parceiro te faz sentir culpada por tudo e merecedora da violência destinada a ela com frases como "olha o que você me fez fazer". Quando ele soca a parede atrás de você ou chuta o bichinho de estimação para te intimidar. Se você se sente constantemente pisando em ovos, com medo da reação do seu parceiro, isso é um forte sinal de alerta. 


2. Violência Moral: A Destruição da Reputação

Visa te desqualificar - seja diretamente ou para terceiros- e diminuir a sua autoestima. Quando ele espalha mentiras sobre você para outras pessoas, te acusa de traição publicamente ou te xinga. A intenção é destruir sua imagem e reputação perante a sociedade ou mesmo dentro do relacionamento. Geralmente tem o objetivo de rebaixar o valor da vítima, fazendo-a crer que não tem qualidade alguma e que aquele relacionamento é sua única possibilidade.


3. Violência Patrimonial: O Controle que Aprisiona

A violência patrimonial acontece quando o agressor controla, retém ou subtrai o dinheiro da mulher, seus bens e instrumentos de trabalho. Exemplos mais comuns - e que passam muitas vezes despercebidos - são:   esconder cartões de banco, proibir a mulher de trabalhar, destruir seus pertences ou documentos,  tomar para si o dinheiro que ela ganha, colocar bens em nome de terceiros para não dividir no momento do divórcio ou impedir o acesso da mulher a bens e valores comuns do casal. Essa forma de violência cria uma dependência financeira que torna ainda mais difícil para a vítima sair do relacionamento e ter ciência do total do patrimônio.


4. Violência Sexual: A Violação do Consentimento

A violência sexual não se resume ao estupro. Ela abrange qualquer conduta que force a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça ou uso da força. Impedir o uso de métodos contraceptivos, forçar o aborto ou a gravidez, e obrigar a mulher a praticar atos sexuais que a desagradam também são formas de violência sexual. Relações sexuais não consentidas, seja porque a mulher está dormindo, bêbada ou por qualquer utro moivo sem discernimento para o ato, são formas de violência, inclusive dentro de relacionamentos.


5. Violência Física: A Ponta do Iceberg

Embora seja a forma mais conhecida, a violência física é "a ponta do iceberg". Geralmente, ela é o estágio final de um ciclo de abusos que já vinha ocorrendo de outras formas. Qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher, desde um empurrão e tapas até agressões mais graves, é considerada violência física e é crime. Se você for vítima de qualquer tipo de agressão física procure ajuda imediatamente.


Quer saber mais sobre o assunto? Assista a minha entrevista no programa Tempo de Mulher. Nesta oportunidade, eu, Isadora Balem, e a apresentadora Bárbara Hocsman, aprofundamos sobre temas tratados aqui no nosso blog:



Como saber se vivo em um relacionamento abusivo?


O primeiro passo é entender que o abuso não é apenas físico. Se você se sente desconfortável no seu relacionamento, nunca sabe como seu parceiro vai reagir, não participa das decisões financeiras,  recebe tratamento do silêncio ou é menosprezada em qualquer aspecto, ligue o alerta. A Lei Maria da Penha existe para te proteger. Busque ajuda, converse com uma advogada especialista, procure a Delegacia da Mulher ou ligue para o número 180. Você não está sozinha.




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