Convivência NÃO é FAVOR
- Isadora Balem
- 27 de jan.
- 2 min de leitura

No atendimento, é comum ouvir relatos de convivências marcadas por cancelamentos de última hora, atrasos recorrentes e conflitos no momento da entrega. Muitas mães ficam em dúvida: posso discutir isso no processo ou é só desgaste emocional?
Na experiência prática, a instabilidade na convivência raramente é distribuída de forma neutra. Quem desmarca em cima da hora, chega atrasado ou não aparece, em geral, parte do pressuposto de que alguém vai absorver esse impacto. E esse alguém costuma ser a mulher. É ela quem reorganiza o dia, quem explica para a criança, quem lida com a frustração, quem remarca trabalho, consultas e compromissos. Como se o cuidado fosse obrigação natural dela, e não uma responsabilidade compartilhada.
Essa dinâmica não é um problema individual, é estrutural. Muitos homens foram socializados acreditando que suas agendas são mais importantes, que seus compromissos profissionais, pessoais ou de lazer não podem ser flexibilizados, enquanto a convivência com os filhos entra na categoria do “se der”.
A convivência não é favor, não é ajuda e não é concessão. É dever parental e direito das crianças. O descumprimento reiterado precisa ser levado a sério, registrado e tratado com estratégia, justamente porque a instabilidade constante gera insegurança, quebra de rotina e sofrimento emocional.
Nomear esse problema é parte do enfrentamento. Não se trata de “dificuldade entre adultos”, mas de uma desigualdade que recai quase integralmente sobre as mulheres e que afeta diretamente as crianças. Responsabilidade parental não pode ser algo secundário, ajustável apenas quando sobra tempo. Ela exige compromisso, previsibilidade e presença — não improviso.
Arrasta pro lado e confere neste post o que fazer se a convivência se tornar instável. São esses registros que permitem, se necessário, pedir execução, revisão do regime ou outras medidas judiciais. O que não é documentado, costuma ser desconsiderado.



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