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Guia rápido de como não ser machistas nas festas de final de ano

  • Foto do escritor: Isadora Balem
    Isadora Balem
  • 26 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

As festas de final de ano costumam ser associadas à celebração, ao reencontro e à ideia de descanso. Mas, para muitas mulheres, esse período também representa sobrecarga, constrangimentos e a repetição de violências naturalizadas em nome da “brincadeira”, da “tradição” ou do “espírito natalino”.Escrever sobre isso não é estragar a festa. É, ao contrário, convidar à construção de encontros mais justos, seguros e verdadeiramente afetivos.

Falo aqui a partir da minha experiência como advogada feminista, que atua diariamente com mulheres atravessadas por relações desiguais — muitas delas forjadas e reforçadas exatamente nesses espaços familiares e sociais que deveriam ser de cuidado.

Abaixo, compartilho alguns comportamentos que precisam, urgentemente, ser evitados nas confraternizações de final de ano:


1. Naturalizar que o trabalho doméstico “aumenta” e recai sobre as mulheres

A chegada de visitas, as refeições mais elaboradas, a casa cheia: tudo isso demanda trabalho. O problema não está no aumento das tarefas, mas na expectativa silenciosa de que elas serão automaticamente assumidas pelas mulheres.

Quando homens se sentam à mesa enquanto mulheres cozinham, organizam, servem, limpam e ainda cuidam das crianças, estamos diante de uma divisão sexual do trabalho que não é neutra nem inocente. Ela reproduz desigualdades estruturais e comunica, inclusive às crianças, que o cuidado e o trabalho invisível têm gênero.

Auxiliar nas demandas da casa não é “ajuda”. É responsabilidade compartilhada. Participar da organização, do preparo das refeições, da limpeza e do cuidado com as crianças é parte mínima de uma convivência baseada em respeito.


2. Presentear crianças com base em estereótipos de gênero

As festas de final de ano também são um momento simbólico de transmissão de valores. E os brinquedos dizem muito sobre o que esperamos de meninas e meninos.

Quando meninas recebem brinquedos ligados ao cuidado, à beleza ou ao trabalho doméstico, enquanto meninos ganham jogos de ação, construção ou liderança, estamos delimitando possibilidades de existência. Estamos dizendo, ainda que de forma sutil, quem pode criar, explorar, comandar — e quem deve cuidar, servir ou se adequar.

Presentear crianças com brinquedos que incentivem a criatividade, a imaginação e a autonomia, sem reforçar estereótipos de gênero, é uma forma concreta de promover igualdade desde a infância. E igualdade não se ensina apenas com discurso, mas com escolhas cotidianas.


3. Fazer “piadas” sobre o corpo das mulheres

Comentários sobre peso, aparência, envelhecimento, roupas ou “excessos” cometidos durante o ano são frequentemente tratados como brincadeira nas confraternizações. Mas não são inofensivos.

Piadas sobre o corpo das mulheres reforçam padrões estéticos violentos, constrangem, silenciam e, muitas vezes, reativam dores profundas ligadas à autoestima, à saúde mental e à história pessoal de cada uma. O fato de estarem travestidas de humor não as torna menos agressivas.

Nenhuma mulher deve ser submetida a avaliações públicas sobre seu corpo — muito menos em espaços familiares, onde deveria haver acolhimento e segurança. Respeito não é exagero, é o mínimo.


Para além das festas

Esses comportamentos não se restringem ao final de ano. Eles são apenas mais visíveis quando a casa está cheia e os papéis sociais ficam escancarados. Questioná-los é um exercício de responsabilidade coletiva.

Construir relações mais igualitárias exige desconforto, revisão de práticas e disposição para ouvir. Mas também produz encontros mais leves, mais honestos e mais afetivos.

Que as festas de final de ano possam ser, de fato, espaços de convivência — e não de reprodução de desigualdades. Que o cuidado seja compartilhado, o respeito seja regra e que nenhuma mulher precise “engolir” violências em nome da harmonia familiar.

Celebrar também é escolher não repetir o que machuca.

Já ouviu falar em indiretas do bem? Manda esse post aqui no grupo da família para ver se os comportamentos das pessoas inconvenientes fica menos desagradável esse ano.

 
 
 

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